Construí em Angola para perceber o que quero construir em Portugal.
Criei a Quente & Bom. Comecei com uma loja, abri seis.
Padarias. Foi o primeiro negócio que construí do zero, em Lisboa — e foi aí que aprendi as coisas que ainda hoje aplico todos os dias: que servir bem se mede em conta, não em discurso; que ninguém respeita um negócio que o dono não respeita; que reputação leva décadas a construir e uma má decisão a perder.
Em 2011 fechei a operação em Portugal e fui para Angola abrir a Quente & Bom Angola. Saí para construir num mercado mais difícil. Voltei, anos depois, para perceber que o que tinha aprendido cá não tinha equivalente em mais lado nenhum.

Liderar quando o ambiente macro não ajuda.
Em Angola, desde 2011, tenho gerido e feito crescer empresas em ambiente difícil. Liderei equipas em gestão, comercial, logística, produção, financeira e qualidade. Negociei com bancos, com fornecedores, com instituições do Estado. Vivi todas as fases — da expansão à recessão, da euforia à crise cambial.
O que essa experiência me deixou foi a capacidade de separar volatilidade de erro. De saber que disciplina operacional é o único ativo que não se desvaloriza. E que as pessoas, quando bem lideradas, fazem o melhor com os recursos que têm.

A noite em casa em que três ativos se alinharam.
A decisão de criar a Terrae não foi tomada numa sala de reuniões. Foi tomada em casa, em conselho de família — comigo, a Ana Lobo de Sousa (minha mulher), a Maria Goreti (minha mãe) e a Bruna Sousa (minha irmã) — quando três coisas se cruzaram na mesma conversa. O empreendimento Jardins do Anjo estava alinhado, com capital próprio comprometido. A arquitectura de uma marca integrada já cabia numa folha de papel. E foi a Ana Lobo de Sousa que me disse que o nome que mais ressoava com a nossa história era Terrae.
De Lisboa para Luanda foi em 2011. A operação angolana continua. Em Lisboa, as três mulheres que se sentaram à mesa para decidir fundar a Terrae são as mesmas que hoje, sob esta marca, recebem o cliente, acompanham as obras e negoceiam o crédito. Sou investidor, promotor imobiliário e fundador. Mas a Terrae é, antes de mais, uma empresa familiar.

